quarta-feira, 1 de setembro de 2010

no Lago de Sanabria, Espanha.






LAGO DA SANABRIA

O Parque Natural do Lago da Sanabria, criado em 1978, está situado no extremo Noroeste da província de Zamora e possui uma extensão de 22 365 hectares que corresponde, na maior parte, a área de média e alta montanha das serras de Segundera e Cabrera. Toda a região é atravessada por caminhos e trilhos de montanha, muitos dos quais são utilizados desde há séculos pelos habitantes como forma de comunicação entre aldeias. É mesmo possível escolher rotas temáticas, segundo aquilo que mais nos interessa ver: arquitectura tradicional, fauna e flora, arqueologia e até referências literárias, como é o caso da Rota de Dom Quixote. O melhor contacto para informações é a ADISAC, uma associação para o desenvolvimento integrado da região sanabresa, sediada em Puebla de Sanabria, nº7 da Calle Matadero
www.desanabria.org

Fotografias Zito Colaço

sábado, 14 de agosto de 2010

em Yokoama, Japão.















Yokohama (Japonês : 横浜市 -shi) é uma cidade japonesa localizada na província de Kanagawa.

Em 2004 a cidade tinha uma população estimada em 3 555 473 habitantes e uma densidade populacional de 8 174 h/km² sendo a segunda maior cidade do Japão. Tem uma área total de 434,98 km².

Recebeu o estatuto de cidade a 1 de Abril de 1889.

É a maior cidade independente do Japão e o maior porto, com a concentração comercial da área da Grande Tóquio. Um dos ex-libris da cidade é a Yokohama Landmark Tower, o mais alto edifício do Japão (296 m de altura). O Estádio Internacional de Yokohama foi o palco da final da Copa do Mundo FIFA de 2002.

Em 1854, Yokohama era uma pequena aldeia piscatória, mas a partir desta data, a qual coincide com a chegada do comodoro norte-americano Mathew Perry, a povoação começou a desenvolver-se, até que em 1859 tornou-se um porto de comércio importante e o local para o estabelecimento de estrangeiros que gozavam de direitos extraterritoriais.

Nesta época a cidade passou a ser essencialmente conhecida pela exportação de seda, embora continuasse ligada à pesca. O comércio estrangeiro conduziu para o rápido crescimento de Yokohama, que funcionou durante a segunda metade do século XIX como um dos principais portos do Oceano Pacífico.

A primeira linha de caminho-de-ferro foi construída em 1872 para a ligação de Yokohama a Tóquio e impulsionou de tal modo o seu desenvolvimento que em 1889 se tornou cidade. Passada uma década os direitos de comércio extraterritoriais na cidade foram abolidos.

Em 1923 Yokohama foi vítima de um violento sismo (Grande sismo de Kantō) que destruiu parcialmente a cidade. Apesar das consequências negativas, este acontecimento potenciou o desenvolvimento da cidade, que foi rapidamente reconstruída, modernizada e alvo de várias alterações, nomeadamente no seu porto.

Durante a Segunda Guerra Mundial, Yokohama foi atingida por pesados bombardeamentos aéreos, conseguindo contudo superar este obstáculo e prosseguir com o seu desenvolvimento ligado às facilidades portuárias e à indústria.

Fotografias Zito Colaço

sábado, 3 de julho de 2010

na Praia da Saúde, Costa de Caparica, Portugal.


O FUTURO NÃO É AGORA. MAS JÁ FOI.

Eu tinha uma pequena casa de madeira no topo de uma duna da Caparica. O Equador não atravessa estas terras, as da Costa, de quintas e hortas que se quedam na base da Arriba. Durante o dia, podíamos sentir-nos a subir, em direcção ao sol, mas as manhãs eram límpidas e tranquilas e as noites frias. A minha casa de madeira no topo de uma duna da Caparica foi feita num tempo que não tornará. Entre a minha casa de madeira no topo de uma duna da Caparica e o mar em frente havia um outro mar. De gente sorridente no verão e, quando a nortada levantava vagas, lixo que marés vivas devolvem, por vingança justa, à areia. Lixo que eu nunca fiz. Da minha casa de madeira no topo de uma duna da Caparica via um mundo que se perdeu tão irremediavelmente quanto ser homem a sério. Como os camponeses que, em anos de Invernos de agruras, se juntavam no areal esperando que um arrais lhes concedesse lugar na arte. Os sorrisos de ver comer a prole quando a sardinha, o carapau e a lula se agitava na rede que vinha, puxado à mão. Da minha casa de madeira no topo de uma duna na Caparica via passar Ti Palmira, a avó de um Capote que era fedelho descalço antes de ser estrela na TV, caminhando pela praia até a Fonte da Telha, Mina da Adiça, quase até à Lagoa de Albufeira mas não Alfarim, que é gente avessa ao norte e mais dados a sesimbrices, para trazer à luz futuros homens de cara sulcada de sal e sol. A "Aparadeira", chamava-lhe, que quer dizer parideira, que quer dizer parteira, puxava redes e cordões umbilicais, cortando-os com a tesoura que levava consigo a palmilhar léguas, no bolso do avental. Da minha casa de madeira no topo de uma duna da Caparica via passar, também em Janeiros de praguejar, homens e mulheres e crianças que se faziam a sul, debaixo de temporais que proibiam o mar, porque "A Lagoa de Albufeira dá todo o peixe que há na costa". De caminho, a Fonte da Telha e a tasca do Camões que morreu pobre de fiar. Uma sopa, um copo de vinho e um quarto de pão por poucos réis, não me lembro ao certo, às vezes em troca de algumas bolas de vidro que davam à costa, trazidas das artes de Sesimbra pelas marés. Só à noite, breu de não ver nem Espichel nem Bugio, lançavam o chichorro, arte de malha apertada que trazia sardinha, eiroz, sargo, sargueta, linguado e tudo o mais que desse aquele mar mais pequeno. Faziam-no, muitas vezes, debaixo dos tiros da Guarda Fiscal, porque os cães que são do povo mas do povo desdenham ao serviço de outros que os desdenham a eles foram, e serão, os mesmos de hoje. Da minha casa de madeira no topo de uma duna da Caparica vi, incontáveis vezes, as mulheres dos pescadores, as mais belas de Portugal, dizia o poeta Bulhão Pato, que vinha com a desculpa de comer amêijoas, largar arriba acima, arrobas de sardinha na canasta equilibrada à cabeça, para vender às portas dos Capuchos, Vila Nova e, às vezes, Lazarim, trocar peixe por farinha no moleiro, solitáris presença de um lugar que é hoje encruzilhada. Da minha casa de madeira no topo de uma duna da Caparica via o Bugio, Cascais. Estoril, Oeiras, o Monte da Lua. Agora não. Porque alguém achou que a minha casa de madeira no topo de uma duna da Caparica, que agora se chama Praia da Saúde, era uma casota de madeira sem condições, decrépita, que há muito perdera sentido, mesmo depois de anos a dar sentido a quem, do mar, a usava como ponto de orientação. Outros acharam mesmo que não passava de uma barraca a ser demolida. A minha e as outras. A minha casa de madeira no topo de uma duna da caparica contaria metade da minha vida. Mas parece que a minha vida interferia no gosto de outros. Agora, não da minha casa de madeira no topo de uma duna da caparica mas de um outro sítio qualquer, que não faz metade do sentido, consigo ver o Romeu Correia a arranhar o caixão.

Nuno Miguel Dias é jornalista de viagens. Andou por lugares inacreditavelmente belos. Cedo descobriu que a beleza só é subjectiva se não descrita de forma a que não o seja. Redigiu artigos para a VIP, Nova Gente, A Próxima Viagem e Blue Travel. E não consegue perceber como é que coisas que são encantatórias num destino exótico estão, em Portugal, numa altura em que a Sustentabilidade está na ordem do dia, condenadas ao desaparcimento.